O homem no ônibus

Ele andava curvado, à procura de um lugar para sentar. No fundo do ônibus, finalmente encontrou um assento vazio. Se acomodou e tirou da mochila os fones de ouvido - aqueles grandes, mais caros e chamativos.
Perdido em seus pensamentos, ele nem imaginava o que as pessoas à sua volta estariam pensando a seu respeito. "Deve ter roubado aqueles fones"; "Ainda bem que não sentou perto de mim"; "Será que esse cheiro estranho está vindo dele?"
O homem pensava em como faria para mandar dinheiro para a família. Pensava se conseguiria um emprego melhor que o atual. Pensava se, um dia, seria "alguém na vida", como falavam por aí.
Finalmente chegou sua parada, e o homem desceu os degraus do coletivo. O motivo do medo e nojo de alguns passageiros foi embora; todos seguiram com suas vidas, sem lembrar, no dia seguinte, que o viram.

São várias as perguntas que tenho para situações como essa, mas a principal é: quando vai acabar? O racismo está enraizado, e tentar desconstruí-lo é a luta de muitos (graças a Deus!). A história eu inventei, mas, claramente, foi baseada em fatos reais.
E aí, você é um dos passageiros do ônibus?

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