Não é sobre bençãos; não é sobre nós. É sobre Ele.

Ao nos distrairmos do nosso alvo, muitas vezes temos a chance de errar nosso propósito de trabalhar, de fazer obras - quaisquer sejam elas. Nessas horas, tão cheios de nós mesmos, tão orgulhosos dos trabalhos falsamente nossos, nos deixamos levar por aquilo que está no nosso coração corrompido, não na vontade de Deus. Pensamos estar fazendo algo em prol do que acreditamos, quando na verdade estamos nos desviando do que queremos. Logo, ao nos darmos conta disso tudo, devemos perceber nossa fragilidade, e nosso orgulho tão descarado que, na verdade, nem deveria existir. Precisamos nos humilhar. Em seguida, precisamos ter o desejo de nos livrarmos de nós mesmos e nos enchermos daquele que é suficiente e preenche todas as lacunas do nosso coração. Daquele que é o nosso alvo.

Depois de refletir um pouco sobre o que é o Evangelho (é sobre Deus, sobre Jesus, sobre negar a si mesmo e ser como Jesus), me peguei observando e pensando sobre uma situação não muito rara: o fato de cristãos estarem dando muita atenção às riquezas (terrenas). Não me excluo disso, e nem julgo quem o faz, até porque não é minha função, e muito menos sou digna para tal. Mas, então, porque procuramos e fazemos tanto para alcançar a prosperidade (foco na área financeira e tudo o que vêm com ela)? Lendo o Novo Testamento, fica claro que neste mundo passaremos por sofrimentos e aflições. Jesus não nos garantiu riquezas nem fama. Ele nos garantiu consolo, e a oportunidade de crer, proveniente da graça. Como, então, esperar (eventualmente, até cobrar) isso de Deus?

"A vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens" diz em Lucas 12:15. Muitas vezes, além do fato de nos preocuparmos demais com a tão desejada prosperidade, esse fator é o que pode provocar aquilo que tanto nos foi alertado para não fazermos: a acepção de pessoas. Entram numa sala de aula, um homem vestido normalmente, com uma calça jeans e uma camiseta barata, por exemplo, e outro homem com um terno visivelmente caro. O primeiro diz que trabalha realizando transporte de móveis; o segundo, diz ser advogado, e fala dos seus vários diplomas e cursos no exterior. Quem será que a turma irá respeitar e considerar mais? Fazemos isso até sem perceber, com um simples gesto, como, por exemplo, se ajeitar melhor na cadeira ao ouvir o engravatado falar.

Quanto valor damos às riquezas, então, não? Não, não é errado ser rico. Mas a forma como, e para que, usamos essa riqueza, pode ser fator de destruição (tanto em bens como psicológica. A importância que se dá àquilo que não é importante pode causar sentimentos de derrota e frustração). Lucas 5:38-42 nos fala para, caso alguém nos agrida em uma face, oferecermos a outra para o agressor. Difícil tarefa. Às vezes nem é porque irá doer, mas sim pelo nosso orgulho. Esse nos impede de nos humilharmos, de considerarmos o outro superior a nós. E Cristo disse para nos humilharmos. Nos humilharmos diante das pessoas ao nosso redor, mas não somente isso. No livro de Tiago, capítulo 4, diz "Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará" (versículo 10); e continua, no versículo 14, nos dizendo que nada somos. E, realmente, nada somos por nosso mérito. Se tudo que somos vêm de Deus, e se somos como a neblina que depois de pouco tempo se dissipa, do que iremos nos orgulhar? O que valerá o que conquistamos aqui? Obviamente é bom e importante ter conhecimento de assuntos terrenos, mas se deixarmos nossa mente se preocupar mais com isso do que com o Reino, o Evangelho perde seu sentido.

"O que ganhamos quando obedecemos aos seus preceitos (...)?" Malaquias 3:14. Nós não cremos em Deus e seguimos a Jesus para ganhar algo, e sim para perder algo. Para perder o mal que está em nós. Para deixar de lado nossa personalidade, que tantas vezes nos assombra no falar e no agir, para nos enchermos do caráter de Jesus. Então não é o que ganhamos em riquezas, mas sim o que perdemos de nós mesmos. 
Dois trechos muito importantes de Gálatas 6 nesse aspecto: "Os que desejam causar boa impressão exteriormente (...) agem desse modo apenas para não serem perseguidos por causa de Cristo" e "O que importa é ser uma nova criação".

Quando abandonamos no nosso coração os nossos interesses que nada são interessados em Deus, abrimos espaço para, de fato, sermos cheios do Espírito Santo. O Senhor quer um coração entregue e dependente dele; isso não só quando percebemos que Ele torna o nosso dia melhor, ou acalma nosso coração, mas também quando abrimos mão do que queremos (seja um desejo instantâneo ou futuro) para dar lugar à Sua vontade e, é claro, à Ele. Esse pensamento também nos remete à importância de vivermos com um propósito. Com o propósito Dele. Quando isso se torna uma das coisas mais importantes na nossa vida, fica bem mais inevitável que sejamos para o louvor da sua glória (Efésios 1:12).

Gosto muito de uma música (Oração - Os Arrais) (escutem, é muito boa) que fala assim
"Me esvazie de mim e desse mundo
E que o meu nome morra com meu corpo
E que o de Cristo permaneça em tudo".
E também outra do Preto no Branco, cujo nome fala bem o que sinto: Não quero ser mais eu. Quando percebemos o que seríamos, ou somos, sem Deus, com certeza não queremos mais ser nós mesmos. E é se dando conta disso que percebemos o quanto necessitamos Dele, em tudo. 

"Nada tendo, mas possuindo tudo" (2 Coríntios 6:10).

Uma frase que considero ótima e muito pertinente para esse texto, é a seguinte, dita pela Fabíola Melo, "Nós não fomos chamados para viver o mais fácil; nós fomos chamados para revelar Cristo no nosso caráter, no nosso comportamento". Se temos um relacionamento diário, sincero e profundo com Jesus, cada vez mais nos tornamos como Ele. As pessoas que convivemos nos influenciam, e a melhor influência que se pode ter, é a de Jesus.

Darmos valor as coisas importantes da vida, sem dar muito valor à nossa própria vida. Não pensar no ganho material, mas no espiritual. Se esvaziar de si mesmo a ponto de se encher de Jesus, e do Espírito Santo, usando o que o Senhor nos deu para alinhar o nosso propósito de vida com o propósito da boa vontade Dele.

Não é sobre nós. É sobre Ele.

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