domingo, 29 de janeiro de 2017

RESENHA - Prometida

"Minhas convicções não mudaram; a diferença era que agora eu as expressava. Tinha liberdade para ser eu mesma. E para ser amada pelo mesmo motivo. Fora isso que aprendera com Lucas. Ele se apaixonara pela ilusão que eu representava, mas amara o meu verdadeiro eu."

Prometida é o quarto volume da série Perdida, da - maravilhosa - Carina Rissi. Em Perdida e Encontrada nós vemos tudo pelo ponto de vista da Sofia; em Destinado pelo ponto de vista do Ian; e agora em Prometida, pelo da Elisa. Eu já amava a personagem desde antes, achava ela um amor, um doce. Em Prometida nós vemos essa mesma doçura, mas com uma Elisa mais velha, crescida e cheia de si (o que foi muito bom). 
Simplesmente amei voltar para esse mundo tão legal criado pela Carina! Alguns anos se passaram depois de Destinado, e Elisa se vê - quase - numa crise de identidade. Ela não sabe o seu lugar no mundo, por que tudo é como é, e também não está tão alegre como sempre fora. Mas, essa "tristeza" tem um nome: Lucas Guimarães. Não é que o cara por si só seja o motivo desse descontentamento, mas sim a situação que os dois se meteram anos antes: depois de se aproximarem um pouco mais, Lucas e Elisa se beijaram num baile, o que não era bem visto pela sociedade - para quem não sabe, o livro se passa no século XIX. Ian, irmão mais velho de Elisa, viu tudo e meio que obrigou os dois a se casarem. Então, com um pedido fajuto, o casal ficou noivo, sem mais nem menos. O livro vai intercalando esse passado com o presente, e a autora vai explicando toda história, e como eles chegaram ao ponto de brigar constantemente - isso quando se falavam -, afinal o casal, assim que se conheceu, se dava super bem e, antes de tudo, eram muito amigos.

De início eu queria logo que os dois se encontrassem e começassem a se entender, mas em seguida vi o quanto essa explicação sore tudo que aconteceu era necessária para a história. Assim que começa o livro já vêm um bocado de treta, e eu fiquei realmente impressionada com isso. Mas me irritou bastante o mimimi dos dois... AI, CARAMBA, SE ENTENDAM LOGO, VOCÊS SE AMAM!!, era o que eu pensava - e ainda penso. Mas, com o tempo, o casal da vez foi se entendendo, dialogando e compreendendo o ponto de vista de cada um. Apesar de todas essas tretas e explanações, a história dos dois foi muito bem construída, e ver em alguns momentos o Ian e a Sofia foi TUDO DE BOM! E, além do romance, a Carina colocou um pouco de mistério/suspense, que só foi se resolver no final do livro, o que foi ótimo! (Porém, me senti meio burra por não ter ligado os pontos, tava tudo tão na cara!)
Enfim, o livro é maravilhoso, por mais que eu tenha demorado um pouquinho para terminar. A escrita da autora é sempre excelente, e nos faz ver e viver a história de um jeito muito bacana. Ela também aborda a "adoção" com uma sutileza impressionante. A narrativa faz a gente sentir uma mistura de emoções, mas no final a única que fica é a felicidade, junto com o amor por todos - ou quase todos... - os personagens. Bem que a série podia continuar para sempre, né?!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

RESENHA - Orgulho e Preconceito

Tenho tanto a falar sobre Orgulho e Preconceito que nem sei direito por onde começar. Bom, o livro é um clássico que foi escrito pela MARAVILHOSA Jane Austen, e foi publicado em 1813, sendo seu segundo livro, e se passa na Inglaterra, onde Jane vivia. Apesar de ser antigo - SÉCULO XIX, GALERA! -, ele aborda temas muito atuais, mas que precisavam ser bem mais discutidos na época, como, por exemplo, a interferência da família e amigos nos relacionamentos. Outro tema polêmico - muito mais naquela época - é a diferença das classes sociais, e como elas podem separar cidadãos que, na verdade, são iguais, uns tendo mais dinheiro e status, outros menos. Um trecho que me chamou muita atenção foi esse, mais para o final do livro, em que Elizabeth (personagem principal) fala a Lady Catherine (tia do Darcy):
"- Casando-me com seu sobrinho, eu não me consideraria deixando essa classe. Ele é um cavalheiro; eu sou a filha de um cavalheiro; assim sendo, somos iguais."
QUE LACRE!
Agora vamos para a história em si. Após a chegada do sr. Bingley, um jovem rico, a Hertfordshire, a sra. Bennet já quer casá-lo com uma de suas cinco filhas: Jane, Elizabeth, Mary, Kitty e Lydia. Mas o sr. Bingley não chegou sozinho; veio junto o arrogante sr. Darcy. Então, como de costume, acontece um baile, e as cinco filhas são apresentadas aos cavalheiros. Mas o sr. Bingley só tem olhos para a amável Jane, e dança com ela por quase toda noite. Lizzie, além de irmã é muito amiga de Jane, e faz o maior gosto pelos dois, pois claramente estão ficando apaixonados. Mas, com alguns inevitáveis encontros, Lizzie acaba por praticamente odiar o sr. Darcy, e tem muitas discussões com ele. Acontece que o mundo dá voltas, não é mesmo?
Vou parar de falar sobre a história para não dar spoilers, porque acho que todo mundo precisa ler Orgulho e Preconceito. A escrita da Jane Austen é inteligente e perspicaz, e ela trabalha com uma ironia muito, mas muito boa, que, por mais que os personagens possam estar discutindo, faz a gente rir bastante. A Jane devia ser muito atenta para captar esses acontecimentos da época e relatá-los, criticando muitos "padrões"; ela com certeza tinha uma visão mais avançada que o resto da sociedade. Eu comecei o livro há um bom tempo, aí larguei ele um pouco, voltei, dando umas paradinhas, e lá pelo meio do livro voltei com tudo! E ah, como foi bom! Ri, xinguei, me surpreendi, fiquei filosofando... realmente têm motivos para ser um clássico!
O filme - sim, o livro teve uma adaptação cinematográfica - também é excelente e, por mais que algumas partes do livro não foram inseridas no filme (o que é muito comum de acontecer), dá para pegar a essência do livro, e também notar o humor irônico que a Jane Austen traz na obra. Além disso, o filme conta com uma fotografia incrível, que dá vontade de chorar (hahah). Vale muito a pena conferir ambos!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O cachorro e o engravatado

Na última quarta-feira, eu estava andando até o ponto de ônibus com a minha mãe, para ir para casa. Um tempinho depois de chegarmos à parada, vimos um cachorro perambulando por ali. Falamos um pouquinho com ele e tal, mas logo ele se afastou, ficando ainda à nossa vista. Ficamos com uma certa pena do cachorrinho, pensando de quem ele seria, se estava perdido, ou se era um cachorro de rua. Minha mãe comentou comigo:
- Ele não parece totalmente abandonado, não está tão magro para ser um cachorro sem dono.
Então eu lembrei da cena que tinha visto poucos dias antes. Eu estava no ônibus, indo para o shopping, quando vi um cachorrinho - da mesma cor do que estávamos falando - atravessando a avenida - a mesma na qual estávamos - e quase, mas QUASE MESMO, sendo atropelado. Ao olhar aquilo, da janela do ônibus, me deu um desespero e uma peninha do bichinho que estava andando sozinho por uma rua bastante movimentada. Porém, minutos depois eu já havia esquecido o ocorrido, indo lembrar apenas em alguns momentos mais tarde. E, naquela ensolarada quarta-feira, foi um desses momentos. 
Contei tudo isso para a minha mãe, e logo constatamos que deveria se tratar do mesmo cãozinho. Seguimos falando sobre outros assuntos, observando o cachorro passear por ali, e enquanto isso, eu também observava um homem, todo engravatado, olhando seguidamente a hora e se movendo em ritmo meio frenético. Permaneci reparando o homem, que de vez em quando dava uma olhada no cachorro, e seguia naquele ritmo, inquieto. Quando abriu a sinaleira para os pedestres, o cachorro, já mais sabido e inteligente, atravessou a rua com as demais pessoas. E o homem de camisa social, gravata e óculos de sol, atravessou também. Minha mãe chamou minha atenção e especulou que o cara devia estar seguindo o cachorro. E, de fato, ele estava.
Ao chegar do outro lado da rua, o cãozinho deu umas voltas e depois caminhou adiante, sendo seguido pelo engravatado. Eu e minha mãe nos olhamos, felizes porque alguém tinha dedicado um pouco do seu tempo para tentar achar o dono do cachorrinho, ou quem sabe, levá-lo consigo para casa. Os dois desapareceram da nossa vista, e eu fiquei imaginando - e esperando muito - se eu não tinha acabado de presenciar o início de uma grande amizade entre um homem e um cachorro.

Estamos acostumados, no nosso dia a dia, a ver cachorrinhos e gatinhos abandonados ou perdidos. O que não estamos acostumados a ver são cenas como essa, na qual existem animais nessas condições, mas que alguém faz alguma coisa. Claro, temos algumas ONGs dedicadas a fazer esse trabalho, mas nós mesmos tomarmos uma iniciativa para acabar com essa triste situação, já é mais difícil. Eu não poderia ter seguido o bichinho, ou ter dado mais atenção, porque precisava logo ir para casa; mas aquele homem pôde, e fez o que achava que tinha que ser feito. Uma coisa que eu e meus pais costumávamos fazer - e pretendo continuar - é estar sempre com um potinho com ração no carro, na bolsa, ou na mochila, para que quando vermos um animal na rua, possamos fazer algo para ajudá-lo. Então, por favor, NÃO ABANDONEM SEUS BICHINHOS se não puderem cuidar deles; levem-os para uma ONG ou um abrigo. E que esse homem que seguiu o cachorro sirva de exemplo para todos nós. 

sábado, 7 de janeiro de 2017

Sobre o amor

É "engraçado" como as pessoas têm uma ideia errada de Jesus. E é ainda mais engraçado que isso possa ser (parcialmente ou não) nossa culpa. Jesus nunca julgou ou segregou alguém. Mas o que fazemos, muitas vezes sem nem perceber? Julgamos e segregamos. Será que estamos vivendo aquilo que acreditamos? Será que estamos amando como deveríamos? Será que daríamos nossa vida por amor a alguém?
O mundo está cheio de preconceitos e estereótipos. Porém, pelo menos quem é cristão, sabe que Deus não quer assim; não é desse jeito que funciona para Ele. Ele aceita todos, sem exceções. E se essa é a vontade de Deus, e queremos realizar essa vontade, devemos tratar todos igualmente.
"Sobretudo, amem-se sinceramente uns aos outros, porque o amor perdoa muitíssimos pecados" (1 Pedro 4:8). Amar nossos familiares, nossos amigos, é fácil; são pessoas que gostamos. Mas, sendo isso fundamental, amar quem não conhecemos ou quem não gostamos muito... já complica. A questão é que sem o amor não vamos a lugar algum. Podemos fazer mil coisas boas, mas se fazemos isso sem amor, nada importa.
Jesus nos mandou amar uns aos outros como Ele nos amou (João 13:34). Pesado. Às vezes, quando era menor, eu via uns filmes que o cara morria pelo seu amigo/colega, e ficava pensando "nossa, que idiota, ele deixou família e amigos para dar vida ao outro, que nem era tão legal". Agora (de uns tempos pra cá), percebo que foi exatamente isso que Jesus fez. Mas não morreu sendo visto como um herói; morreu humilhado. E também foi isso que Ele nos mandou fazer: amar Ele e as pessoas incondicionalmente.
Que possamos repensar nosso conceito de amor e praticá-lo, sinceramente, com todos. "O ódio provoca dissensão, mas o amor cobre todos os pecados" Provérbios 10:12